As colagens surrealistas de Eugenia Loli

19 fev 2018

Meu movimento artístico favorito é o Surrealismo. Tudo aquilo que provém de um ponto de vista incomum e polêmico é característico desse tipo de arte. Há uma constante mistura entre realidade e sonho, calmaria e caos. Obras surrealistas são aquelas que trazem opostos, despertam a atenção, chocam às vezes, e fazem o observador pensar “fora da caixa”, analisando a situação que o cerca, procurando entender sua essência. Observar e entender obras surrealistas fazem minha criatividade funcionar à mil, e por isso eu as amo tanto.

A colagem é um setor artístico que me encanta muito. Gosto da possibilidade de juntar imagens que antes estavam totalmente separadas e transformá-las em algo novo. O artista Max Ernst, pioneiro nessa vertente, descreve de forma poética a sensação que o levou a transformar um catálogo ilustrado em colagens:

“Essas imagens chamavam-se a si mesmas planos novos, devido aos seus encontros num novo desconhecido (o plano de não convivência)”. 

 

Nascida na Grécia e atual habitante do estado americano da Califórnia, a artista Eugenia Loli deixou o setor tecnológico para fazer colagens surrealistas. Suas obras começam com uma imagem de base e acabam sendo construídas por meio delas, criando uma narrativa visual. Suas principais influências são o pintor belga René Magritte, um dos principais artistas surrealistas de todos os tempos, e o ilustrador surrealista Julien Pacaud. Entretanto, Loli afirma que não gosta de classificar sua arte em um único estilo. “Faço colagens de diferentes estilos: do ‘pop’ ao ‘dada’, de ilustrações modernas ao surrealismo tradicional”, diz.

First Kiss Underwater

Suas obras têm sempre um toque vintage, e seu principal objetivo é dizer algo através delas, contendo sempre um significado por trás do que é visto em um primeiro instante. “Algumas cenas são espirituosas ou sarcásticas,  outras são horríveis com um senso de perigo ou urgência, e às vezes são apenas relaxantes. Deixo o preenchimento da história à imaginação de cada observador”, retrata a artista.

A preferência por fotos antigas na hora de realizar as colagens é estética, utilizando-se na maioria das vezes de tons mais escuros. Contudo, apesar de serem esteticamente atraentes, as colagens de Loli trazem sempre uma mensagem social, relativa a acontecimentos presentes ou futuros. 

Entre os assuntos tratados em suas colagens estão: relacionamentos amorosos, a figura feminina, o poder da mente, entre outros. Imagens de galáxias são muito usadas como base e há também um uso frequente de cores vibrantes, com texturas que variam dependendo de cada obra. Produções artísticas como a de Loli trazem questões que poderiam passar despercebidas se fossem expressas verbalmente. No caso de suas obras que enaltecem a figura feminina, há uma crítica muito clara ao comportamento machista e a objetificação da mulher, que infelizmente ainda prevalece na nossa sociedade.

Stroked

Os elementos são contrastantes em todos os sentidos. As cores se contrapoem e os significados são opostos, às vezes sem nenhuma ligação em uma primeira observação. Porém, quando analisados, podem ter sentidos muito distintos, dependo da experiência de quem está observando.

A colagem retrata muito bem o significado da subjetividade artística, pois ela ressalta a quantidade vasta de decodificações possíveis a partir de uma única imagem. O verdadeiro conceito do surrealismo é enaltecido na técnica de colagem. Contradição, confusão, ilusão, sonho e fantasia. A mistura de tudo isso ganha ainda mais destaque quando as imagens são sobrepostas, como no trabalho de Eugenia Loli, havendo uma “explosão” de questões que se chocam a todo momento.

Todos os seus trabalhos estão reunidos em seu portfólio. Pra conferir é só clicar aqui.

 

 


Como foi entrevistar o Caco Barcellos

31 ago 2017

 

Caco tem uma história maravilhosa. Passou por tudo o que se pode imaginar nessa vida. E sempre soube valorizar as coisas certas. Atualmente tem uma carreira de muito sucesso e é conhecido por praticamente todos no Brasil, o que para muitos é uma desculpa fácil para a arrogância. Não no caso dele. Eu já imaginava que ele seria alguém muito bacana, mas não imaginava o quanto seria simpático e muito, muito tranquilo. Recebeu a gente em sua própria casa e foi extremamente atencioso durante toda a entrevista. Com voz baixinha e leveza em cada palavra, respondeu tudo que precisávamos e mais um pouco. Contou sua trajetória detalhadamente, que por sinal, é inacreditável.

Começou a trabalhar muito cedo, pois como veio de uma família simples, sempre se preocupou em ajudar com a renda. Seus pais eram extremamente preocupados com a educação dele e da irmã, e inclusive o ensinaram a ler e escrever, mesmo sendo analfabetos.

Eu achava que os dois eram heróis porque com toda a precariedade e falta de qualificação profissional deles, trabalharam tanto por nós dois…

Então desde cedo eu sempre quis ajudá-los.

Me ensinaram a ler e escrever, e eram analfabetos. Na verdade, o esforço começa com essa dupla: meu pai e minha mãe. Eles que me empurraram: ‘Saia daqui, cara. Vai fazer o que a gente não pode fazer.’

Foi coletor de sucata, vendedor, taxista… a lista é bem grande. Começou a trabalhar catando ossos que sobravam dos churrascos – o pessoal do Sul é apaixonado por churrasco, então sempre sobrava ossos de gado. Seu bairro era de periferia, então quando chovia bastante era comum ter muita erosão nos morros, o que fazia com que os ossos fossem despejados, facilitando o trabalho. Os mesmos eram vendidos à uma fábrica que transformava-os em botões de roupa e jogadores de futebol de mesa.

Posteriormente, também trabalhou em uma igreja progressista de seu bairro, fazendo impressões:

Tive a felicidade e a sorte de morar em um bairro onde havia uma igreja progressista – dessas aliadas dos mais pobres – que nos ensinou muitas profissões. Por exemplo, eu ainda criança aprendi a imprimir. Hoje a impressão é feita com um clique. Antigamente, era tudo feito em uma gráfica. Letra por letra de ferro. Dessa maneira se imprimia. Essa profissão se chamava linotipia e dava uma boa grana, pois vinham encomendas de fora do bairro.

Questionado sobre como começou a sua paixão pela escrita e pela reportagem, Caco contou uma história bastante curiosa, onde relacionou a sua atual profissão com a dos trovadores de sua família:

Não tinha nenhum jornalista e nenhum intelectual na família, mas eu gostava de escrever. Talvez porque tivesse trovadores na família. Trovador, no Sul, é o cara que pega o violão e conta história, narrando. Tipo rap. E aquilo me encantava muito. Meus tios eram trovadores. Tenho um avô que era trovador e carroceiro. Ele saía pelo bairro vendendo e observando histórias… no final da semana ele trovava e contava as histórias que ele via. Aquilo era uma reportagem. Eu não sabia que era, mas peguei encantamento por aquilo. Talvez venha daí o meu desejo de contar história.

 

O que mais me deixou emocionada, em toda a entrevista, foi como o discurso dele priorizava as coisas da vida que não tem preço. E também a sua enorme preocupação com todas as pessoas, inclusive as que tem uma realidade muito diferente da dele. Foi uma verdadeira lição sobre empatia e o quanto devemos focar sempre na felicidade, acima de qualquer possível lucro ou status.

 

De felicidade eu conheço. Não está associada com dinheiro. Eu vou ser infeliz pra ganhar dinheiro? Não. Eu era feliz sem nada, ganhando pouco. Claro que o melhor é ser feliz ganhando bem, comprar um carro, dar conforto às pessoas que você gosta. Mas o importante é não associar dinheiro com felicidade.

Eu nunca abri mão da felicidade. Uma bela proposta pra ganhar cinco vezes mais e deixar de ser repórter? Não. Eu sou feliz na reportagem. Quem te disse que com cinco vezes mais eu vou ser mais feliz?

Praticamente duas horas de conversa, tudo muito leve e natural, mas ao mesmo tempo, a quantidade de aprendizado nessas horas valeram por anos. Rendeu tanto conteúdo que ele próprio falou que daria pra escrever um livro. Quem sabe no futuro?

Foi a primeira entrevista que fiz fora da faculdade. Sou extremamente grata por ter dado tudo tão certo e poder ter a oportunidade de conhecer um profissional e ser humano indescritível. Saí de lá feliz e com a certeza que estou no caminho certo. Não trocaria minha futura profissão por nada. Obrigada por cada palavra, Caco.


5 sites que inspiram a minha criatividade

21 jul 2017

Se tem uma coisa que eu adoro fazer, principalmente nas férias, é ficar horas navegando em sites sobre assuntos que me interessam. E ultimamente o assunto que eu mais tenho lido sobre é, obviamente, a criatividade. Sou encantada por tudo que descreve o mundo criativo que temos dentro da nossa mente. Todos os mistérios, belezas e dificuldades que estão presentes no processo criativo de cada um. Odeio quando sinto que estou tendo um bloqueio criativo, porque sou uma pessoa que fica inventando coisas na minha cabeça o tempo inteiro. E mesmo sabendo que não é impossível criar sem inspiração, também sei que é MUITO mais divertido com a presença dela. Portanto, resolvi compartilhar os sites que me deixam cheia de vontade de sair criando por aí. Vamos lá!

  • Creative Something

Por mais que não seja o mais atualizado da lista, eu tenho um carinho especial pelo Creative Something, porque foi um dos primeiros que descobri sobre o assunto. Uma das coisas que mais gosto nele é a seção Library, que contém indicações literárias maravilhosas, todas sobre criatividade. O criador, Tanner Christensen, é designer do Facebook, autor de um dos meus livros favoritos (The Creativity Challenge) e também escreve para outros sites.

  • Creative Boom

Creative Boom é uma revista online criada em 2009 e tem um conteúdo bastante rico na área de design, fotografia, arte e tudo que envolve o universo criativo. Têm também muitos posts sobre carreira e dicas sobre desenvolvimento pessoal. O site é bastante organizado e separado em vários temas interessantes.

 

  • The Creativity Post

The Creativity Post tem uma diversidade maior de temas, ou seja, tem para todos os gostos. O conteúdo dos textos é muito rico em informação, ótimo pra quem gosta de assuntos que despertam curiosidade. Além de tudo, é bastante atualizado.

  • Artsy

Artsy é essencial pra quem gosta de saber sobre galerias, museus, obras e tudo que envolve o mundo da arte. Completíssimo e cheio de informações legais, um diferencial enorme é o fato de que nele é possível criar uma conta, seguindo 0s movimentos, estilos e artistas que mais te interessam. Amo navegar por ele quando preciso de inspiração visual.

  • Follow the Colours

Para finalizar a lista, não podia faltar um site brasileiro, não é mesmo? Eu acompanho o FTC há um tempão e amo tudo o que é postado por lá. De curiosidades sobre a história das cores a indicações de ilustradores, dicas sobre criatividade e pôsteres em boa qualidade para imprimir… não falta coisa boa nesse site. Para quem está procurando conteúdo diversificado e inspirador, não tem erro.

Espero que essa lista te inspire tanto quanto me inspira diariamente. É sempre bom ter novos sites para acrescentar na lista de favoritos, e poder dar aquela explorada quando precisamos ler algo novo. Enjoy!


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Por:
Larissa