Posts da categoria "Vida"

Pequeno desabafo sobre a paz que o Facebook nos tira

16 jun 2018

 

Foto: Becca Tapert
Ultimamente tenho ficado irritada de forma estrondosa por causa do Facebook. Entro para conferir o que há de novo e saio percebendo que há sempre mais do mesmo. Sempre os mesmos posts de pessoas tentando convencer as outras que estão certas sobre algum assunto.
 
Acho válido compartilhar seus pensamentos em defesa de seus ideais – afinal, a interação é o principal objetivo de qualquer rede social -, mas o tom arrogante infelizmente utilizado por muitos usuários chega a ser deprimente.
 
Eis que, abrindo o livro As coisas que você só vê quando desacelera, de Haemin Sunim (ótima leitura, por sinal) em uma página aleatória, encontro exatamente o que eu precisava ler – uma dessas coincidências inesperadas que deixa o nosso dia mais feliz:
“Todos nós temos crenças, valores e pensamentos que consideramos fundamentais, dos quais não podemos imaginar abrir mão. Acreditamos que são ideias irrefutáveis, com as quais todos concordariam se fossem sensatos. Mas de vez em quando precisamos estar perto de pessoas que não compartilham das nossas convicções.
Podemos entrar em conflito por causa de visões políticas, crenças religiosas ou valores pessoais. Se a conversa entra no território da discordância, logo se transforma em discussão. Ninguém sente que está sendo ouvido nem respeitado, e o que resta é raiva, confusão e mágoa.
Precisamos nos perguntar se valeu a pena fazer o outro se sentir infeliz ou magoado em nome da defesa de nossas crenças. Em vez de manter a santidade de nossos valores, não deveríamos nos importar mais com a pessoa sentada diante de nós? Não é melhor estarmos felizes juntos do que com razão e sozinhos?
Tentar convencer alguém a adotar nosso ponto de vista é obra de nosso ego. E mesmo que no fim estejamos certos, o ego nunca estará satisfeito, e irá buscar uma nova discussão para se meter.
A maturidade vem com a experiência. Uma lição de maturidade é que devemos aprender a não levar nossos pensamentos tão a sério e a moderar nosso ego para enxergar o panorama mais amplo. Estar certo não é nem de longe tão importante quanto ser feliz com alguém.”
 
Um brinde a todos que utilizam essa rede social para compartilhar ideias boas, momentos felizes e piadas bobas. Nossa paz agradece. 

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Por:
Larissa

Destabulizando clichês

30 mar 2017
Arte: Aykut Aydoğdu

Todo mundo já ouviu (ou até mesmo fez) uma crítica que se utilizava do clichê como justificativa. Eu mesma já me peguei me desculpando por gostar de algo considerado clichê, ou dizendo algo bonito seguido da famosa expressão “apesar de ser clichê…” de forma muito natural. Mas aí eu parei para refletir e reparei que muitas coisas à nossa volta são clichês, e gostamos de muitas delas. Afinal, qual o problema nisso?

Um exemplo prático e polêmico é o Nicholas Sparks, autor de livros românticos que venderam incontáveis exemplares, e que, em sua maioria, viraram filmes. Esses, por sua vez, também venderam incontáveis ingressos. Já li muitas críticas sobre ele, e os argumentos são sempre os mesmos: “os personagens são sempre a mesma coisa… ele só troca os atores”,  “é sempre o mesmo excesso de sentimento e alguém morrendo no final”, ou o típico “é sempre sobre um casal que não pode ficar junto, aí acontece uma reviravolta e acaba dando tudo certo no final da história.”

Aí eu me pergunto: O que tem de tão negativo nisso? Concordo que cada um tem o seu gosto pessoal para filmes e livros, cada pessoa prefere um tipo de história e ninguém é obrigado a amar determinado gênero. Porém, todo mundo tem um filme favorito. E ele pode até ter te surpreendido em um primeiro momento, com um final inesperado e um roteiro diferenciado. Mas a partir do momento em que ele se torna o seu favorito, você consequentemente o assistirá muitas vezes. E em algum momento, ele deixará de ser novidade. Ele então se tornará um clichê, mas um clichê que você gosta muito. O que são os clássicos se não clichês que todo mundo gosta e se identifica?

Não defendo de forma alguma o argumento de que devemos viver sempre na mesmice, sem criticar nada e sem nos abrirmos à novidades. Mas é essencial jogar no lixo aquela vergonha por gostar de algo que não seja cool, cult, ou qualquer antônimo de clichê que encontramos facilmente por aí. Vamos destabulizar o clichê.

Ouve aquela música que ninguém gosta por tocar demais nas rádios, continua lendo aquele livro que você parou porque as críticas o julgaram como “muito meloso”, manda aquela frase famosa de amor para a pessoa que você gosta, vai assistir de novo aquele filme romântico que você sabe as falas de trás pra frente… aproveite os seu clichês. Se diverte com o que te faz feliz, a vida já é cheia de rótulos.


Apaixonada pelas palavras e por tudo que elas não conseguem expressar

31 jan 2017

Minhas duas coisas favoritas foram sempre muito contraditórias. Sempre fui fascinada pela escrita, pela forma com que as palavras formam frases e essas formam textos. Acho que a escrita é uma espécie de mágica, em que a gente transborda o que sente por meio das letras. Ou pelo menos tentamos. Quantas e quantas frases já foram ditas em diferentes combinações das 26 letras do alfabeto. Parando pra pensar no quanto já foi expressado por meio delas, essas letras parecem ser uma infinidade de opções.

Mas aí vem a minha outra coisa favorita, e o mais difícil de tudo é saber que ela não é passível de tal magia que descrevi. Ela não cabe na escrita. Ela não tem tradução, pode apenas ser sentida.

Sempre fui fascinada pelo amor. Gosto da complexidade que envolve a relação entre as pessoas. Gosto de profundidade, de verdade, de sentimentos expressados sem medo. Gosto de reciprocidade. Mas isso tudo não se descreve (ou talvez o coração até descreva, em forma de sorrisos ou sensações).

Reconheço minha paixão pelas palavras, mas admito que é na falta delas que se esconde o inesquecível. Quanto mais lindo for um sentimento, menos palavras achamos para descrevê-lo. As mesmas 26 letras do alfabeto agora parecem insuficientes. Mesmo usando todas elas, falta coisa pra falar. Sempre vai faltar. O que é verdadeiro é indescritível.


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Por:
Larissa