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Tem que ter brilho nos olhos

5 ago 2018

Faça de corpo e alma ou não faça. Não existe meio termo.

Foto: Annie Jiao

Eu sempre amei a água. Basta colocar meu dedinho do pé pra sentir a temperatura da piscina que uma sensação de felicidade toma conta de mim. Quando a primeira ondinha do mar entra em contato com a minha pele na praia então… é amor na certa. Deve ser por este motivo que eu gosto tanto do verão. Porque ele deixa a gente se entregar por inteiro. Sentir o sol esquentando a pele, a água refrescando o corpo… não há nada melhor.

E a nossa vida também pode ser assim. Não seria justo que um mundo tão imenso deixasse a gente se sentir desta maneira apenas nas férias ou quando entramos no mar. Esta sensação de realização tem que nos acompanhar em cada aspecto do cotidiano.

Por exemplo, ao procurar um livro novo para comprar, já penso nas sensações e descobertas que ele pode me trazer. Se a sinopse fez meu olho brilhar, já sei que é uma escolha certa. E foi assim também quando decidi o que fazer de faculdade. Escrever faz o meu olho brilhar. É difícil, exige esforço, mas recompensa. O texto acaba e a nossa alma está novinha. Parece banho de mar.

Nunca me enxerguei trabalhando em uma empresa apenas para ganhar o meu salário e contar os segundos para o fim de semana, para o feriado, para as férias… Trabalho tem que vir da alma. Tem que te fazer feliz no presente. É claro que ninguém vive em um conto de fadas onde todo dia é leve e sem estresse, mas dá para ser feliz trabalhando sim.

Adam JK

Basta descobrir o que faz seu olho brilhar. O que te motiva a ser melhor e te deixa enxergar possibilidade em todo canto. É aí que está o seu propósito. Trabalhe com o que você deseja colocar de novo no mundo. O dinheiro vem para quem se dedica de corpo inteiro. E como podemos nos entregar sem amar o que fazemos?

Isto também vale — e como — para as relações. O amor da sua vida é aquele que te renova a cada abraço e faz você enxergar cada dia com mais brilho e intensidade. Conversar com quem você ama é sentir o coração quentinho como a pele em um dia de sol.

Amizades de verdade começam da mesma maneira. Se a pessoa não te faz enxergar as coisas com felicidade, sai dessa. Um bom amigo faz a gente flutuar e esquecer dos problemas, trazendo mais cor aos nossos dias e compartilhando sentimentos que acreditávamos ser só nossos.

Sei que parece inatingível se sentir inspirado em cada pequeno detalhe da vida, mas não é tão difícil assim, sabia? A gente só precisa aprender a enxergar cada canto com o coração. Dizem que os nossos olhos são a janela da nossa alma. Sendo assim, é evidente que não conseguimos esconder por muito tempo o que se passa aqui dentro.

Quando queremos muito alguma coisa, antes mesmo de abrirmos a boca para soltar qualquer palavra, os olhos já dizem o que estamos sentindo. Se um dia você der de cara com uma oportunidade e sentir algo crescendo em você e uma necessidade incontrolável de sorrir diante daquilo, vá em frente. Te fez brilhar os olhos? Então já te pertence.

(Texto publicado originalmente na New Order)


Passado, presente e futuro

14 jun 2017
Ilustração: Lorraine Sorlet

Bom mesmo é encontrar alguém que faça você se encontrar. Alguém que plante memórias boas na sua lembrança, faça parte do seu presente e seja seu presente de todos os dias. Alguém que te faça levantar da cama toda manhã com um sorriso de orelha a orelha, sabendo que ainda tem muito amor para dar e receber. Alguém que te faça imaginar um futuro incrível. Alguém que faça de um futuro sem a sua presença, um futuro inimaginável.

Um bom amor é aquele que te faz sentir um conforto no peito. Um amor que te faz sentir-se em casa independente de onde você esteja. Amor esse que quanto mais os dias passam, mais amor se sente. Amor que faz a gente querer voar para os braços de quem se ama. Agora, depois, e sempre. Amor que te faz pensar que o melhor dia é sempre o de hoje.

Quando acontece, é inegável. Não existem dúvidas, não existem mágoas, não existem obstáculos. Só o amor existe. E ele basta. O sorriso vira rotina e o choro só acontece por felicidade. Não há espaço algum para coisa ruim dentro do peito.

Você fica por vontade, por amor, por saudade. Você fica porque não existe lugar melhor do que esse. Fica porque não existe sentido em não ficar. Fica porque a vida ficou mais bonita desde que toda essa sensação tão surpreendente começou.


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Por:
Larissa

Destabulizando clichês

30 mar 2017
Arte: Aykut Aydoğdu

Todo mundo já ouviu (ou até mesmo fez) uma crítica que se utilizava do clichê como justificativa. Eu mesma já me peguei me desculpando por gostar de algo considerado clichê, ou dizendo algo bonito seguido da famosa expressão “apesar de ser clichê…” de forma muito natural. Mas aí eu parei para refletir e reparei que muitas coisas à nossa volta são clichês, e gostamos de muitas delas. Afinal, qual o problema nisso?

Um exemplo prático e polêmico é o Nicholas Sparks, autor de livros românticos que venderam incontáveis exemplares, e que, em sua maioria, viraram filmes. Esses, por sua vez, também venderam incontáveis ingressos. Já li muitas críticas sobre ele, e os argumentos são sempre os mesmos: “os personagens são sempre a mesma coisa… ele só troca os atores”,  “é sempre o mesmo excesso de sentimento e alguém morrendo no final”, ou o típico “é sempre sobre um casal que não pode ficar junto, aí acontece uma reviravolta e acaba dando tudo certo no final da história.”

Aí eu me pergunto: O que tem de tão negativo nisso? Concordo que cada um tem o seu gosto pessoal para filmes e livros, cada pessoa prefere um tipo de história e ninguém é obrigado a amar determinado gênero. Porém, todo mundo tem um filme favorito. E ele pode até ter te surpreendido em um primeiro momento, com um final inesperado e um roteiro diferenciado. Mas a partir do momento em que ele se torna o seu favorito, você consequentemente o assistirá muitas vezes. E em algum momento, ele deixará de ser novidade. Ele então se tornará um clichê, mas um clichê que você gosta muito. O que são os clássicos se não clichês que todo mundo gosta e se identifica?

Não defendo de forma alguma o argumento de que devemos viver sempre na mesmice, sem criticar nada e sem nos abrirmos à novidades. Mas é essencial jogar no lixo aquela vergonha por gostar de algo que não seja cool, cult, ou qualquer antônimo de clichê que encontramos facilmente por aí. Vamos destabulizar o clichê.

Ouve aquela música que ninguém gosta por tocar demais nas rádios, continua lendo aquele livro que você parou porque as críticas o julgaram como “muito meloso”, manda aquela frase famosa de amor para a pessoa que você gosta, vai assistir de novo aquele filme romântico que você sabe as falas de trás pra frente… aproveite os seu clichês. Se diverte com o que te faz feliz, a vida já é cheia de rótulos.