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Destabulizando clichês

30 mar 2017
Arte: Aykut Aydoğdu

Todo mundo já ouviu (ou até mesmo fez) uma crítica que se utilizava do clichê como justificativa. Eu mesma já me peguei me desculpando por gostar de algo considerado clichê, ou dizendo algo bonito seguido da famosa expressão “apesar de ser clichê…” de forma muito natural. Mas aí eu parei para refletir e reparei que muitas coisas à nossa volta são clichês, e gostamos de muitas delas. Afinal, qual o problema nisso?

Um exemplo prático e polêmico é o Nicholas Sparks, autor de livros românticos que venderam incontáveis exemplares, e que, em sua maioria, viraram filmes. Esses, por sua vez, também venderam incontáveis ingressos. Já li muitas críticas sobre ele, e os argumentos são sempre os mesmos: “os personagens são sempre a mesma coisa… ele só troca os atores”,  “é sempre o mesmo excesso de sentimento e alguém morrendo no final”, ou o típico “é sempre sobre um casal que não pode ficar junto, aí acontece uma reviravolta e acaba dando tudo certo no final da história.”

Aí eu me pergunto: O que tem de tão negativo nisso? Concordo que cada um tem o seu gosto pessoal para filmes e livros, cada pessoa prefere um tipo de história e ninguém é obrigado a amar determinado gênero. Porém, todo mundo tem um filme favorito. E ele pode até ter te surpreendido em um primeiro momento, com um final inesperado e um roteiro diferenciado. Mas a partir do momento em que ele se torna o seu favorito, você consequentemente o assistirá muitas vezes. E em algum momento, ele deixará de ser novidade. Ele então se tornará um clichê, mas um clichê que você gosta muito. O que são os clássicos se não clichês que todo mundo gosta e se identifica?

Não defendo de forma alguma o argumento de que devemos viver sempre na mesmice, sem criticar nada e sem nos abrirmos à novidades. Mas é essencial jogar no lixo aquela vergonha por gostar de algo que não seja cool, cult, ou qualquer antônimo de clichê que encontramos facilmente por aí. Vamos destabulizar o clichê.

Ouve aquela música que ninguém gosta por tocar demais nas rádios, continua lendo aquele livro que você parou porque as críticas o julgaram como “muito meloso”, manda aquela frase famosa de amor para a pessoa que você gosta, vai assistir de novo aquele filme romântico que você sabe as falas de trás pra frente… aproveite os seu clichês. Se diverte com o que te faz feliz, a vida já é cheia de rótulos.